Sarcopenia: a doença que atinge até 46% dos idosos

Sarcopenia: a doença que atinge até 46% dos idosos

Entenda o que é a Síndrome da Sarcopenia e como uma rotina de exercícios aliada a uma alimentação adequada, podem ser a melhor forma de prevenção.

Dificuldade para caminhar, carregar as sacolas do mercado ou até mesmo para levantar, isso pode parecer coisas comuns com o avanço da idade, no entanto, podem também ser o indicio de uma doença muito comum que pode afetar profundamente a qualidade de vida e cotidiano da terceira idade. Os dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia indicam que 16,1% das mulheres e 14,4% dos homens acima de 60 anos, tem sarcopenia. Acima dos 80 anos os números aumentam consideravelmente passando para 46,6% e 44,7% em mulheres e homens respectivamente.

A perda de massa muscular é completamente normal e faz parte do processo evolutivo do ser humano. Ainda na década de 60 a expectativa de vida era de 52 anos aproximadamente, ou seja, passar dos 60 anos é algo extremamente recente na história da humanidade. Mas, já no ano 2000, aproximadamente 71 milhões de pessoas passaram dos 80 anos. E segundo a ONU (Organização das Nações Unidas) em 2030, cerca de 202 milhões ultrapassarão essa idade.

Por isso, cada vez mais, a ciência tem avançado para contornar as doenças e dificuldades impostas pela idade avançada. E assim como hoje, todos conhecem a Osteoporose (doença que causa perda óssea), a Sarcopenia deve ser compreendida por todos para que possa ser combatida.

Separamos algumas informações que vão te ajudar a identificar, prevenir e mostrar quais os tratamentos disponíveis para a doença.

Quais as causas?

 

A Sarcopenia é causada por uma série de fatores associados como:

  • Diminuição da produção de hormônios (testosterona, estrogênio e hormônio do crescimento)
  • Deficiência de vitamina D
  • Infiltração de gordura entre as fibras musculares
  • Perda dos neurônios que conduzem o estímulo aos músculos
  • Resistência à insulina
  • Sedentarismo
  • Déficit no consumo de proteínas
  • Tabagismo

Algumas doenças, traumatismos, inflamações e infecções também podem acelerar a perda de massa muscular, vindo a causar complicações. A imobilidade, nos casos de idosos que se encontram em leitos hospitalares, por exemplo, causa perda muscular de 2% por dia. O que em um espaço curto de duas semanas aproximadamente, representaria uma baixa de 30% na massa muscular do paciente.

Como identificar os sintomas?

(Créditos da imagem: Freepik)

 

É comum que se costume demorar para notar a perda de massa muscular, uma vez que ela não é visível a olho nu, felizmente, os sintomas podem ser facilmente percebidos no cotidiano como:

  • Instabilidade ao andar. Seja dentro de casa (ambientes planos e regulares) ou na rua (terrenos irregulares e acidentados com desníveis);
  • Dificuldade para levantar pequenos pesos, como sacolas de supermercado;
  • Impedimento de executar tarefas simples que antes desenvolvia com facilidade (subir escadas, pegar objetos altos, abaixar);
  • Aumento significativo no número de quedas (indicio de nível avançado da perda muscular).

A maneira adequada de concluir o diagnóstico, quando tais sintomas forem observados, é através de exames clínicos, que devem ser realizados por um médico capacitado e especializado. Em alguns casos além dos exames clínicos e de performance é necessário um escaneamento completo do corpo (através de exames de imagem, como tomografias, ressonância magnética, bioimpedância elétrica ou densitometria de raio X de dupla energia) para determinar a perda de massa magra, analisando cada parte separadamente da gordura.

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Como prevenir?

(Créditos da imagem: Freepik)

 

Se a decadência muscular é inevitável, como podemos então prevenir e adiar a Sarcopenia? A chave para uma velhice mais confortável está diretamente associada a alguns “sacrifícios” durante a juventude.

É comum que os mais jovens associem as idas a academia e principalmente a musculação em busca de alcançar um determinado padrão de beleza, priorizando a questão da estética acima do bem estar físico. Por isso, quando atingem os 40 ou 50 anos, acabam deixando de lado esses cuidados, por estarem menos preocupados com as pressões estéticas. Mas, é justamente nessa fase da vida que começa o declínio muscular. Em função disso, é preciso criar uma cultura que valorize a saúde do corpo acima de sua aparência física.

A Sarcopenia é o melhor exemplo disso, pois quanto antes for adotada uma rotina de exercícios físicos que beneficiem os músculos, mais retardado será seu efeito. Na pratica funciona como uma espécie de “poupança” muscular. Os exercícios de musculação, que são feitos usando equipamentos, elásticos ou até mesmo o peso do corpo, provocam espasmos ocasionados através da reação entre essa troca de força e geram “ferimentos” no músculo. Em seguida as proteínas agem preenchendo esses locais e é justamente esse processo que leva ao crescimento dos músculos e o aumento da densidade muscular. Quanto mais e melhor o tecido muscular for quando se atingir a idade onde essa produção começa a declinar, mais fácil será a manutenção e mais tempo vai demorar para essa musculatura começar a enfraquecer.

A rotina de exercícios físicos deve ser associada a uma dieta balanceada, de preferência com orientação profissional, e com alimentos ricos em proteínas que ajudam no ganho e preservação da massa muscular.

Alguns alimentos são muito ricos em proteína, em apenas 100 gramas é possível encontrar aproximadamente:

  • 32 g no Frango
  • 26 g na Carne de vaca
  • 26 g no Queijo
  • 12,5 g na Soja
  • 12 g na Quinoa
  • 8,5 g no Tofu
  • 6,6 g no Feijão

O Ministério da Saúde recomenda a ingestão diária de 0,8 g de proteína para cada 1 kg de peso corporal. Ou seja, uma pessoa com 70 kg deve ingerir 56 g de proteína diariamente, um bife mais ou menos do tamanho da palma da mão fornece quase metade desse valor. Além disso, é na carne que se encontram grande parte dos aminoácidos que o corpo não é capaz de fabricar.

Mas, de nada vale investir na proteína e esquecer os outros nutrientes, como o potássio e o magnésio, que são essenciais na manutenção da musculatura e estão presentes nas verduras e legumes. Até os tão injustiçados carboidratos tem um papel fundamental: são responsáveis por fornecer energia para o corpo funcionar e quando estão em falta o corpo busca essa fonte justamente na proteína dos músculos.

Qual melhor tratamento?

(Créditos da imagem: Freepik)

 

Atividade física, principalmente a musculação, e uma dieta balanceada ainda são a melhor forma de se combater os sintomas da doença. Embora vários outros tratamentos estejam sendo estudados e têm obtido resultados muito significativos.

Ainda no campo da alimentação, a quantidade de proteína deve ser adaptada correspondendo entre 1,2g e 1,5g por quilo (aproximadamente), desde que o idoso não apresente nenhuma contraindicação. Em casos de pacientes internados, a quantidade pode ainda subir para 2g por quilo, associando aos exercícios fisioterapêuticos para evitar a perda de massa muscular. O uso de suplementação proteica como Whey Protein, também tem sido indicado em determinados casos.

Outras medidas que tem mostrado efeito satisfatório são a reposição de vitamina D e a suplementação de Leucina, ambas feitas com indicação, orientação e acompanhamento médico. O uso de anabolizantes também tem sido prescrito pelos médicos, quando a sarcopenia se encontra em estágio avançado. São feitos através da aplicação de hormônios sintéticos, que reproduzem a função dos hormônios tróficos no nosso corpo, contribuindo dessa maneira para o aumento da massa muscular.

De uma forma geral, é um tratamento feito para toda a vida, pois exige primordialmente uma mudança de hábitos que quando são aliados vão surtir efeito a longo prazo e de maneira conseguinte.

 

IMPORTANTE: Procure orientação do seu médico de confiança ou orientação de um médico especialista para avaliar o seu caso! 

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